terça-feira, 9 de agosto de 2011

Amemos nossos velhinhos.




O estão fazendo com os nossos velhinhos, mesmo depois de estatuto e tudo mais, ainda vemos noticiários na tv mostrando ataques violentos de espancamentos. Hoje dia nove de Agosto de dois mil e onze assistindo ao jornal Hoje assistimos a esse drama que acontece na maioria das vezes dentro de casa pelos parentes e ajudantes de velhinhos. Ajudemos a combater esse crime contra quem não pode se defender! 
Muitos desses velhinhos passaram fome para que nada faltasse a seus filhos e muitas das vezes são eles próprios que batem, agridem, espancam... Lutemos para que isso acabe, pois se não fizermos nada agora, amanhã será tarde de mais. Leiam um texto que fala sobre o estatuto do idoso. Diga NÃO a agressão! Vamos AMAR quem sempre vai nos AMAR!
Depois de seis anos de tramitação no Congresso Nacional, o Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003 e sancionado pelo Presidente da República no mês seguinte.
O Estatuto, entre outras coisas, tipifica crimes contra o idoso, proíbe a discriminação nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade, determina o fornecimento de medicamentos pelo poder público e garante descontos de 50°/o em atividades culturais e de lazer para os maiores de 60 anos e gratuidade nos transportes públicos para os maiores de 65 anos.
O Estatuto expressa uma histórica conquista dos idosos brasileiros, particularmente daquela parcela organizada em diversos movimentos e entidades, como nos conselhos municipais e estaduais do idoso e, mais recentemente, no Conselho Nacional dos Direitos do Idoso. Resta saber se os poderes públicos poderão tornar efetivo o cumprimento deste Estatuto.
Cabe aos idosos tomar conhecimento de seus direitos contidos neste documento e lutar, cada um dentro de suas possibilidades, para que eles sejam respeitados e cumpridos pelo governo e a sociedade em geral. O direito à informação é hoje o marco principal do conhecimento para os idosos. Estes têm direito de conhecer as leis que facilitam e melhoram a sua qualidade de vida. O conhecimento de seus direitos e obrigações enquanto ci dadão não se acaba com a velhice, pelo contrário, a idade lhe traz privilégios frente à Justiça.
Os idosos sem condições de prover o próprio sustento devem saber que seus filhos maiores e capazes têm o dever de ampará-los e assisti-los até o final de suas vidas. O governo também deve ajudar aos que precisam de ajuda financeira, previsto no Programa de Prestação Continuada (LOAS, art. 20), sendo que no Estatuto do Idoso, capítulo VIII, art. 34, houve uma alteração na idade. Daqui por diante aos idosos a partir de 65 anos que não possuam meio para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o beneficio mensal de um salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS. Não prejudica o direito do idoso o recebimento do benefício por outro membro da família, não sendo computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a LOAS.
O direito de herança é mais um ponto que precisa ser posto em destaque, pois ele interessa não só aos filhos, mas também para pais e avós, que podem, em algum momento, ser convocados para situações imprevistas. Eles poderão ser chamados a receber bens móveis e imóveis, deixados por filhos ou netos falecidos, quando não existir cônjuge ou descendentes.
O plano de moradia para o idoso inclui a assistência para a melhoria das condições de habitabilidade e adaptação de residência, visando conservação-manutençâo e facilidades para locomoção do morador-beneficiário. Procura-se, através da lei, o estabelecimento de critérios para acesso da pessoa idosa à habitação popular e formas que aliviem custos cartoriais vinculadas ao benefício.
Considerações
Sabemos que o maior legado que podemos deixar para as gerações que estão se constituindo é a educação voltada para o respeito aos direitos humanos. Só é possível uma harmonia que escapa da violência, dos maus-tratos na infância e na velhice, dos salários indignos, das piores condições de sobrevivência, do sofrimento e do abandono social quando existir o respeito e a valorização do outro, da natureza e da humanidade.
Diz o provérbio chinês: "Aquele que garante o bem-estar dos outros garante o próprio". A velhice deve ser considerada como a idade da vivência e da experiência, que jamais devem ser desperdiçadas. O futuro será formado por uma legião de indivíduos mais velhos, e se não estivermos conscientes das transformações e preparados para enfrentar esta nova realidade, estaremos fadados a viver em uma civilização solitária e totalmente deficiente de direitos e garantias na terceira idade.
O Estatuto do Idoso é a concretização de um sonho para milhões de idosos que vivem na miséria e no abandono sem ter acesso sequer aos direitos fundamentais presentes na nossa Constituição.
Todos os artigos do Estatuto são fundamentais, pois cada um é o resultado de uma grande reflexão e observação da realidade em que vive o idoso brasileiro. É também uma proposta ousada que amplia direitos e leva para o futuro melhores condições de vida à terceira idade.
O Estatuto pretende humanizar e aproximar cada vez mais o idoso da sua família e da sociedade. Todos têm um papel fundamental para a garantia dos direitos presentes neste Estatuto, a família, a comunidade, o Poder público.
Idosos e as Relações de Famílias
Muitas vezes, os novos arranjos de moradia nas regiões industrializadas dificultam o acolhimento dos parentes idosos ou favorecem o conflito por determinarem a coabitação de pessoas mais idosas com jovens e adultos. A exiguidade do espaço físico impossibilita o exercício da horticultura ou de pequenas criações. A dispersão das pessoas pelo trabalho, a excessiva valorização da televisão, as dificuldades de transporte, a impossibilidade do exercício de lazer e das práticas religiosas habituais no novo ambiente tornam o velho desadaptado e sem função.
Quando ele adoece, é raro haver pessoas disponíveis para cuidar dele, uma vez que em geral a maioria trabalha. Com isso sua qualidade de vida global tende a ser pior do que em suas regiões de origem. Na vinda de famílias do interior para as cidades, enquanto para os jovens é perspectiva atraente, para o idoso concorre para o aumento da solidão e de problemas financeiros.
De um modo geral, e no Brasil em particular, a pessoa idosa dificilmente permanece sozinha em sua residência. Quando perde o cônjuge e não tem mais filhos em sua companhia, por falta de condições de arcar com as despesas, por limitações físicas, dentre outras razões, termina por morar com filhos ou parentes próximos.
Na casa destes, muitas vezes procura realizar alguns trabalhos leves (costura, cozinha, olhar crianças, entre outros), para ocupar o tempo livre e se sentir mais útil, contribuindo nas atividades domésticas da família. Mas isso não evita que, muitas vezes, seja a causa de discórdias e ressentimentos.
O ritmo de vida nos dias atuais contribui para que as pessoas, embora con- vivendo sob o mesmo teto, mal se vejam, quase não sobrando tempo para os membros da família desenvolverem um hábito tão salutar - conversarem entre si - que pode propiciar o entendimento de muitas situações e colaborar provavelmente para um melhor relacionamento.
O papel da compreensão e do carinho é fundamental nas situações que surgem entre os familiares. Enquanto o idoso tem problema de flexibilidade, o jovem está num momento de ruptura, em que a identidade vai se enriquecer e vai deixar de ser fundada somente na família. A crise do jovem desequilibra toda uma harmonia familiar. Do ponto de vista do jovem, é uma crise altamente produtiva, sendo o momento em que ele vai enriquecer suas identificações. Em vez de ele sair dali como uma síntese xerocada do pai e da mãe ou do ambiente familiar, ele vai ser outra pessoa, absolutamente diferente, com alguns traços de identificação com a família, mas com ideias, traços de personalidade, de mentalidade, gostos na vida que os pais não têm a menor ideia de onde ele foi buscar.
O idoso que não estiver em permanente transformação será contestado, ocorrendo uma ruptura entre a sua experiência de vida e o mundo que o cerca, havendo então um choque com o mundo. O idoso pode tentar compreender seus filhos e netos e pode também tentar esmagá-los, tentando calar essas pessoas ou tentar ouvi-las (Maria Rita Kehl - A Terceira Idade - Sesc/SP - n° 3 - dezembro/90 - p. 15-22).
É essencial para o idoso a auto-estima (que não se confunde com o narcisismo), levando-o a prevenir riscos evitáveis quanto ao seu estilo de vida, favorecendo-lhe a autopreservação e a autoconfiança, em oposição à autonegligência e ao isolamento, considerando que são importantes fatores de risco.
A flexibilidade do idoso não quer dizer que ele seja instável em tudo, mas ele deve ser estável naquilo que é o seu eixo de personalidade, tendo uma certa fibra e não mudando todo dia. Mas o idoso deve também ter humildade, deixar um narcisismo negativo e sentir que pode nascer a cada momento para a eterna novidade do mundo, como disse Fernando Pessoa. Essa humildade alia-se à sabedoria, e fará com que ele saiba ouvir, apoiar, amar, perdoar e enriquecer os que estão ao seu redor.
É a partir de uma posição de humildade que a experiência vale: humildade que se contrapõe à onipotência e nisso é que se impede a humilhação. A humildade se contrapõe à possibilidade de humilhação, a partir do momento em que admito que continuo aprendendo, de modo que ninguém pode me chamar de ignorante. Mas, não é só o idoso que tem que aprender, os demais também.
Segundo Baltes, a sabedoria do idoso é um sistema de conhecimento especializado na pragmática fundamental da vida, o qual permite uma capacidade excelente de julgamento e aconselhamento envolvendo temas importantes e controvertidos da condição humana. Pertencem o cerne da sabedoria questões referentes à condução, à interpretação e ao significado da vida. "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios" (Salmo 90.12).
Ás vezes o idoso tem também seus problemas, como não aceitação da idade, de depressão por saudade de um tempo que não se repete, de paranóias, supondo que está sendo prejudicado por aqueles que o rodeiam. É preciso abrir o coração para projetos e possibilidades e enfrentar, de outra posição, de outro lugar, de alguém que já viveu e traz consigo experiências, e busca a maturidade, as circunstâncias e situações vividas por adolescentes, jovens e adultos, porque isso vai passar, mas a pessoa de cada um vai permanecer.
A família é apontada por estudiosos do envelhecimento como o elemento mais frequentemente mencionado por idosos como importante ao próprio bem-estar pêlos idosos. Esta sofreu mudanças importantes decorrentes da maior participação da mulher no mercado de trabalho, da redução do tamanho da família, do surgimento de novos papéis de género e da maior longevidade.
Assim diz o art. 3° do titulo 1 do Estatuto: "É obrigação da família, da comunidade da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária".
Há uma especificação no parágrafo único, ponto V: "priorizaçâo do atendimento ao idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência,"
No art. 4° , determina-se que "Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei."
No convívio familiar há o respeito, o carinho e as melhores condições de vida de que cada indivíduo idoso necessita. O Estado assumirá a responsabilidade quando não houver condições de manter a pessoa de idade avançada no convívio com a família.
O Estatuto prevê o respeito à inserção do idoso no mercado de trabalho e à profissionalização, tendo em vista suas condições físicas, intelectuais e psíquicas. Nosso mercado está voltado para os jovens; tornam-se, portanto, imprescindíveis mudanças que estimulem a participação do idoso no proces- so de produção. Eles podem e devem contribuir com a sua experiência para o crescimento do pais.
Estão asseguradas oportunidades de acesso à cultura, esporte e lazer com propostas e programas voltados para esta idade, além da facilidade do encontro de cursos especiais que são fundamentais para preservar a saúde física e mental do idoso.
O Brasil gasta aproximadamente 22% de tudo o que investe em saúde no tratamento hospitalar da população ido- sa. O Estatuto contempla esta questão no Capitulo IV onde está assegurada a atenção integral, bem como políticas de prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde do idoso.
O capítulo reservado à Previdência Social prevê os direitos constitucionais que estão sendo desrespeitados, como a vinculação das aposentadorias e pensões ao salário mínimo; a garantia de um salário minimo para todo o idoso cuja renda mensal per capita da família não ultrapasse um salário mínimo (1/4 do salário mínimo); a garantia de que o aposentado receba o mesmo número de salários mínimos que recebia na época em que se aposentou, além do recebimento de uma indenização pelo que não foi pago e correção dos valores a receber daí para a frente. O Dia Internacional do Trabalhador - 1° de maio - será considerado da- ta-base dos aposentados e pensionistas.
Violência, maus-tratos na família
Com relação ao direito à liberdade, ao respeito, à dignidade (Capítulo II), destacamos os parágrafos:
• "O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, de valores, ideias e crenças, dos espaços e dos objetos pessoais."
• "É dever de todos zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor."
Goldani (1999) lembra que são numerosos os resultados de pesquisas internacionais que desmistifícam a ideia de que residir com filhos ou fazer parte de uma família extensa é garantia para uma velhice segura ou livre de violência e maus-tratos. Denúncias de violência física contra idosos aparecem nos casos em que diferentes gerações convivem na mesma unidade doméstica (Debert, 1999).
A maior parte das classificações costuma incluir:
• as agressões físicas, definidas como atos realizados com a intenção de causar dor física ou ferimentos como tapas, espancamentos, beliscões, contusões, queimaduras, fraturas ósseas, hematomas, equimoses, marcas de cordas, maneiras de prender alguém ao leito e à cadeira de rodas, impedindo sua mobilidade e fazendo-lhe com que se fira ao tentar escapar desses suplícios, etc que podem chegar a extremos de fraturas e lesões orgânicas graves;
• as agressões psíquicas ou emocionais, definidas como atos realizados com a intenção de causar desconforto emocional ou psíquico, como insultos habituais, humilhações, tratamento infantilizado, provoca angústia mental, situação que pode acontecer ao tratar alguém idoso como se fosse criança, humilhando-a, assustando-a e utilizando palavras ou expressões que o insultem, ofendam ou machuquem.etc;
• exploração material, definida como a apropriação indevida de dinheiro, bens ou propriedades, como, por exemplo, pensões ou aposentadorias, e outros ativos que pertençam ao idoso (rendas de investimentos, juros etc) forçar mudanças de testamento, assinatura de procu- rações ou outros documentos legais etc.
• Apesar desse tipo de violência não oferecer os riscos imediatos da agressão física, poderá ser devastador para o idoso se ocorrer a longo prazo, quando os filhos resolvem limitar os gastos do pai (com fragilidade física e mental) referentes a medicamentos, a exames ou à alimentação especial, para proteger a herança,
• finalmente a negligência, definida como falta de atenção ou isolamen- to do indivíduo idoso (autonegligência) ou incapacidade do seu cuidador no tocante ao atendimento de suas necessidades básicas e ao cuidado com o seu ambiente. Ela também pode ocorrer pela retenção de medicamentos ou da assistência requerida, pois se configura como uma deliberada negação de serviços relacionados com a saúde.
Estratégias eficazes de enfrentamento aos maus-tratos
Têm como pressuposto intervir sobre um dos elementos considerado por eles, como o fator de risco mais significativo para maus-tratos a idosos, que é o estresse do cuidador. A proposta desses modelos é oferecer serviços de apoio que facilitem às famílias cuidarem de seus idosos, o que, conseqüentemente, reduzirá a possibilidade da violência intrafamiliar.
No modelo conjuntural, o tratamento consiste em ajudar a família por meio de:
- assistência de enfermagem qualificada;
- a assistência nas tarefas domésticas;
- comidas em domicilio;
- cuidados diurnos para o idoso, terapias e ensino de habilidades para o cuidador, objetivando a melhora do seu desgaste em relação à situação de cuidar do idoso.
O modelo de intercâmbio social possibilita:
- a orientação vocacional para cuidadores informais;
- a procura de trabalho para pessoas envolvidas no cuidado ao idoso que não demonstram afinidade com o desempenho de tal atividade;
- o tratamento para cuidadores que fazem uso de álcool e de drogas;
- os serviços de saúde mental e apoio financeiro para o idoso, vítima de maus-tratos, objetivando livrá-lo dos sentimentos de vergonha, culpa e temor; e resgatar sua independência financeira e emocional.
Todos aqueles envolvidos ou não na assistência ao idoso já presenciaram atitudes preconceituosas a ele dirigidas, como: "Seu Zé", "Vô", "conversa de velho", "roupa de velho", "óculos de velho"; e por ai afora! Isso se chama violência silenciosa.
O somatório desse processo, num determinado espaço social e momento histórico, também contribui para o surgimento de formas graves de violência, ocultas ou explícitas, contra os idosos.
Outras questões, além da violência contra os idosos, estão preservadas como o direito ao transporte; medidas de proteção aos idosos em situação de risco, que escancara o problema do abandono em asilos em condições inaceitáveis; habitação, para que eles tenham moradia digna; regras para as entidades que fazem atendimento aos idosos; dever de denúncia dos cidadãos em caso de conhecimento de alguma forma de negligência, discriminação, violência, exploração, crueldade ou opressão contra os idosos.

Editado por: Mãe Polly d'Yêmanjá.
Texto extraído do site: http://www.ufmbb.org

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Salúba Nanã, salúba!!

A Deusa mais velha entre todos os Orixás. Sua atitude costuma ser severa, mas é determinada naquilo que se propõe a fazer. Também costuma agir sempre com rigor na hora de tomar decisões. Este Orixá oferece segurança e jamais aceita uma traição. Conforme a tradição afro-brasileira, Nanã além de ser a mais antiga das divindades, foi também a primeira esposa de Oxalá. A mais velha deusa da água está associada às pessoas idosas, à maternidade e seu elemento principal é a lama, o lodo dos rios e dos mares. Como possui um temperamento rígido e não tolera desobediência, é capaz de castigar com a intenção de educar. Nas cerimônias da umbanda é conhecida como vovó. As pessoas consideras filhas de Nanã são geralmente calmas, sérias e introvertidas. Seguras e equilibradas em tudo o que fazem, gostam de ajudar as pessoas, agindo com gentileza e muita dignidade. Quando precisam desenvolver algum trabalho, mesmo que exija rapidez, sabem usar da paciência como se tivessem todo o tempo do mundo para sua execução.

Dia da Semana: Terça-feira

Saudação: Salubá Nanã!

Cores: Azul escuro, branco ou lilás.

Símbolo: Ibiri

Alimento Principal: Repolho roxo cozido e pipoca

Ciganos são uma classe de espíritos que incorporam nos terreiros de umbanda.

Entidades ciganas.
História pertencem à uma linha de trabalhadores espirituais que busca seu espaço próprio pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente com "encantadas".

São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda. Erroneamente no começo eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exus, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exus e Pombas-Gira. Hoje, o culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos.

Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; se apresentam também em rituais do tipo mesa branca, Kardecistas e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza.

Encontraram na Umbanda um lugar quase ideal para suas práticas por uma necessidade lógica de trabalho e caridade.

Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam.

São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego as coisas materiais.

Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.

Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita, pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda, são elas que se incumbem de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem.

Santa Sara Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com Sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.

Ciganos na Umbanda, são espiritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano.

Os ciganos em geral, tem seus rituais especificos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais. A santa protetora do povo cigano é "Santa Sara Cali". Dentro da Umbanda, trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espitiruais, os espiritos ciganos trabalham para a cura de doenças espitiruais.

Os ciganos, dentro da ritualistica umbandista, falam a língua "portunhol", alguns, poucos, falam o romanês, língua original dos ciganos. As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú.

Ossãin, deus das folhas, das ervas!!!

OSSÃIN/ OSSAIM/ OSSÃNIN
Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé. Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam o seu poder, a sua força.
Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem a sua presença, nenhuma cerimónia pode realizar-se, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde das folhas.
Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que consequências desastrosas não atinjam os seres humanos.
A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, o seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como alho, fumo ou bebida. Medo de que? Medo dos encantamentos da floresta, medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.
Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande (ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base de todas as folhas possui um só tronco.
De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflecte, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn – mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas – e os Babalawó – sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.
Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima com a fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam do panteão Jeje assimilado pelos Nagôs, como Nana, Omolú, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia Ioruba. Contudo, é evidente que entre os Jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.
Uma confusão latente refere-se ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um orixá do sexo masculino. Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais comentado.
Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores dos segredos da mata, da Terra.

Características dos filhos de Ossaim

Os filhos de Ossaim são pessoas extremamente equilibradas e cautelosas, que não permitem que as suas simpatias ou antipatias interfiram nas suas opiniões sobre os outros. Controlam perfeitamente os seus sentimentos e emoções. Possuem grande capacidade de discernimento e são frios e racionais nas suas decisões.
São pessoas extremamente reservadas, não se metem em questões que não lhe dizem respeito. Participam em poucas actividades sociais, preferindo o isolamento. Elas evitam falar sobre a sua vida, sobre o seu passado, preferem manter certa aura de mistério. Geralmente, não têm nada de mais a esconder, mas desejam manter reserva.
Pressa e ansiedade não fazem parte das suas características, pois são pessoas dadas aos detalhes e caprichosas no cumprimento das suas tarefas. Possuem gosto por actividades artesanais que exigem isolamento e paciência; não gostam de ter chefe nem subalternos, não se prendem a horários, apreciam a independência para fazer o que gostam na hora que querem. São pessoas fascinadas com as regras e tradições, adoram questioná-las. Possuem um gosto exacerbado pela religiosidade.

Dados
DIA: Quinta-feira.
CORES: Verde e Branco.
SÍMBOLOS: Haste ladeada por sete lanças com um pássaro no topo (árvore estilizada).
ELEMENTOS: Floresta e Plantas selvagens (Terra).
DOMÍNIOS: Medicina e Liturgia através das folhas.
SAUDAÇÃO: Ewé ó!

Joãozinho da Goméia

Nasceu em 27 de março de 1914 em Inhambupe, Bahia. Sua família era católica e chegou a ser coroinha da paróquia de sua cidade. Mas o menino parecia realmente já vir predestinado a vivenciar o mundo das tradições religiosas afro-brasileiras, mesmo antes de se iniciar em uma casa de culto.
Na pequena cidade onde nasceu, distante 153 km da capital, aos 10 anos já demons-trava sua forte personalidade, como bom filho de lansã. Aos 17, deixou a família e rumou para Salvador, onde fez de tudo para sobreviver. No armazém onde trabalhou, conheceu uma senhora que muito lhe ajudou e que considerava como sua madrinha. Foi ela quem o levou ao terreiro de Severiano Manuel de Abreu, que recebia a entidade conhecida como Caboclo Jubiabá.

MESMO CONSCIENTE DA GENEALOGIA E HIERARQUIA DOS DEMAIS TERREIROS, CONSEGUIU IMPOR SUA AUTORIDADE E SE LEGITIMOU AO LONGO DOS ANOS

Uma das muitas histórias que se conta sobre sua iniciação é o fato de Joãozinho sofrer de fortes dores de cabeça sem explicação ou cura por meio da medicina. Assim que se realizou sua feitura, as dores de cabeça cessaram; teriam sido apenas um aviso de que o menino já vinha com o destino traçado pelos Orixás, que cobravam sua iniciação.

Em torno da figura de Joãozinho da Goméia sempre houve muita polêmica; para muitos, que buscavam formas de criticá-lo, sequer teria sido "feito". Mas há filhas-de-santo de Pai Joãozinho que contam todo o seu processo de iniciação. Uma delas, aos 92 anos declarou ao jornal Correio da Bahia que tinha dúvidas de que, se ele fosse vivo, alguém tivesse coragem de contradizê-Io.
1971 MORRE O GRANDE BABALORIXÁ
JOÃOZINHO DA GOMÉIA
O dia em que o Candomblé chorou!

19 de março de 1971 - o dia da semana era sexta-feira, fatídico para alguns, benéfico para outros. O local, Rua General Rondon, 360, bairro Copacabana, no município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Já passava das nove horas e o relógio em breve faria soar as dez badaladas. De repente, um silêncio se faz sentir; as poucas pessoas que ali se encontravam se entreolham assustadas. Parecem hipnotizadas, presas ao chão. Na face de cada uma, a palidez, o medo.

No enorme galpão, uma imagem de lansã se desprende da parede atrás de uma imponente cadeira. Cai ao chão e a deusa se desfaz em dezenas de pedaços. Um vento frio sopra e redemoinhos se formam levantando poeira; o céu se cobre de nuvens pretas como se vestisse luto, onde antes brilhava o solou se via o azul.
O vento uivante aumenta de intensidade e as pessoas começam a se mexer. Muitos diriam, depois, que os gemidos do vento mais pareciam lamentos de Omolu, o guardião dos cemitérios.
Assustados e talvez adivinhando as razões de tão estranhas manifestações da Mãe Natureza, alguns correm ao pátio: o pé de jurema, a árvore sagrada, começa a murchar, a canjica azeda minutos depois de colocada aos pés do Orixá. Nesse instante todos tiveram conhecimento do que estava ocorrendo e lágrima silenciosas começaram a descer nas faces negras e a molhar as vestes brancas. Os atabaques gemeram e choraram e, no gemido de seu couro, transmitiram ao Céu e à Terra os lamentos de uma dor que se espalharia por todo o Brasil.



Tudo isso se passou na roça de joãozinho da Goméia. No mesmo instante, a 400 quilômetros de distância, o Rei do Candomblé, maior propagador dos ritos afro-brasileiros, mais antigo e respeitado sacerdote do Brasil, deixava o mundo dos vivos, desencarnara e partira para o Reino de Oxalá - o Pai Supremo.

São Paulo, Hospital das Clínicas, 9 horas e 50 minutos, sexta-feira. Num leito branco, um homem moreno, forte, grandalhão e de finos traços trava uma batalha com a morte. Seu rosto é tranqüilo, aparentando uma enorme paz interior. Nas têmporas, os cabelos ralos já agasalham a neve dos anos que sobre eles passaram: retratam as dores, os sacrifícios, as lutas e os sofrimentos.
Ao seu lado os médicos se empenham para impedir os desígnios da morte, que quer levar mais um tributo e eles não concordam. O combate é desigual: de um lado, os fracos conhecimentos e as desvalidas forças do ser humano; do outro, os misteriosos poderes extraterrenos.

A luta é árdua; há muitas horas o combate se trava num vaivém irritante. Em momentos, parece que os médicos conseguirão enganar a morte; em outros, a vitória pende para esta. De um lado, os médicos de branco, cor tão querida e amada por aquele homem que ali se encontra sem poder participar da batalha. Ele, que durante toda a vida foi um valente que nunca fugiu à luta, não sabe que do outro lado o espectro da morte tenta arrebatar-lhe a vida, a alma. Seu espírito, este sim está vendo tudo, sabe até o destino que lhe é reservado, só que não pode intervir. Ele, o espírito, o motivo da batalha, dela não pode participar. Altos desígnios, mais fortes do que ele, presidem todos os detalhes do combate. Como humilde servidor desses desígnios, só lhe cabe apreciar os lances. Mesmo sabendo que no final o prêmio do vencedor será ele próprio.
A batalha chega ao fim - João Alves Torres Filho, o doente que os médicos não conseguiram salvar - talvez porque Oxalá houvesse decidido em contrário¬entrega sua alma ao Mestre Supremo.

Joãozinho da Goméia morreu aos 57 anos, 40 dos quais dedicados ao Candomblé. Desencarnou no dia de São José, oito dias antes de completar 57 anos. Por estranha coincidência, no dia de sua morte sua roça em Duque de Caixas iria promover o Lorogun - uma das grandes cerimônias do Candomblé que significa o fechamento do terreiro para o período da Quaresma.

Em dezembro ele pretendia promover uma grande festa para lansã, sua protetora. Oxalá, porém, decidiu que sua missão na Terra estava terminada.

Quando seus filhos-de-santo receberam a notícia de sua morte, o pranto e a dor tomaram conta de todos. Uma histeria coletiva jamais vista fora de um terreiro levou quase à loucura milhares de pessoas que se aglomeravam em frente ao hospital. Mulheres choravam, entravam em transe, desmaiavam; os homens murmuravam preces por sua alma e gritavam: - Pai, me leva com você!

Ao se confirmar a triste verdade, os atabaques começaram a marcar em toques fúnebres, anunciando a dor da perda irreparáveI. Todos ficaram inconsoláveis, mas mesmo assim lembraram de render tributo a Oxalá, pedindo que recebesse o filho amado de braços abertos. Para eles, o grande sacerdote apenas desencarnara, ganhando uma estrada de estrelas para chegar ao Reino de Oxalá.

Há muito joãozinho da Goméia se encontrava doente, e nos últimos meses queixava-se de fortes dores de cabeça. Os médicos encontraram a causa das terríveis dores do Rei do Candomblé: Na parte frontal da cabeça, em local de difícil exploração, formara-se um tumor, e sua localização tornava perigosa qualquer intervenção cirúrgica. Após comunicarlhe os perigos que correria, indagaram se deviam ou não operá-Io. Joãozinho não pensou nem um segundo para responder: - Podem operar, seja feita a vontade de Deus.

Às 8 horas e 15 minutos de sábado o corpo foi liberado para o transporte ao Rio de janeiro. No carro funerário foi o corpo, atrás caravanas de I 5 federações de São Paulo e dezenas de carros de fiéis. O motorista diria depois: - Em 19 anos de profissão, nunca vi tanta gente acompanhar um corpo.


"Se eu morrer, quero que todos os meus filhos-de-santo continuem fazendo caridade. E que se esforcem para que o Candomblé do Brasil seja, cada vez mais, encarado com seriedade e respeitado por todo o mundo"

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